Guia NR-1

Guia NR-1

Um Guia preparado especialmente para você compreender a NR1 e os Riscos Psicossociais.

Atualizado 2026 Conforme MTE NR-1 + NR-17 ISO 45001 + ISO 45003
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1) O que é a NR-1?

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) é a norma-mãe de todo o sistema de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Ela não regula um risco específico, ela define as regras do jogo para todas as outras normas. Pense nela como a Constituição da SST: tudo parte dela, e tudo deve estar alinhado a ela.

Instituída pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a NR-1 é aplicável a todas as empresas que possuem empregados com vínculo CLT, independentemente do porte ou setor econômico. Isso significa que da microempresa à multinacional, ninguém está fora do seu alcance.

Norma-Base do SST

Define as diretrizes gerais que regem todas as demais Normas Regulamentadoras do Brasil.

Aplicação Universal

Obrigatória para todas as empresas com empregados CLT, sem exceção de porte ou segmento.

GRO Obrigatório

Institui o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como exigência legal estruturada.

Ilustração dos pilares da NR-1: norma-base, aplicação universal e GRO

A atualização da NR-1 trouxe uma mudança importante para as empresas: os riscos psicossociais passam a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais. Na prática, isso significa que fatores como estresse crônico, burnout, assédio moral, violência psicológica e sobrecarga de trabalho precisam ser identificados, avaliados, documentados e acompanhados pelas organizações. A responsabilidade deixa de estar concentrada apenas no RH e passa a envolver também a área de Saúde e Segurança do Trabalho, gestores e alta liderança, que deverão demonstrar ações concretas de prevenção, monitoramento e gestão desses riscos perante fiscalizações e auditorias.

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), instituída em 1978 pelo Ministério do Trabalho, é a norma estruturante de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Ela define as disposições gerais aplicáveis a todas as demais NRs e estabelece a obrigatoriedade do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Com a publicação da Portaria MTE nº 1.419/2024, os riscos psicossociais passaram a integrar oficialmente o GRO, reconhecendo que saúde mental, organização do trabalho e fatores sociais são parte indissociável da saúde ocupacional.

Essa atualização alinha o Brasil às diretrizes internacionais da ISO 45001 (gestão de SST) e da ISO 45003 (saúde psicológica no trabalho), consolidando uma vision moderna e preventiva da SST.

  1. 1978

    Criação das Normas Regulamentadoras

    O Ministério do Trabalho publica a NR-1, estabelecendo as disposições gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) e tornando obrigatório o cumprimento das NRs por todas as empresas com empregados regidos pela CLT. A gestão de riscos ainda é tratada de forma fragmentada, focada em perigos físicos, químicos e biológicos.

  2. 2020

    2) O que mudou tudo?

    A nova redação da NR-1 (Portaria SEPRT nº 6.730/2020) institui o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como processo contínuo e introduz o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), formado por Inventário de Riscos e Plano de Ação. O PGR substitui o antigo PPRA e passa a exigir identificação, avaliação, controle e monitoramento sistemático dos riscos.

  3. 2024

    Riscos psicossociais entram oficialmente no GRO

    A Portaria MTE nº 1.419/2024 atualiza a NR-1 e inclui de forma expressa os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho (sobrecarga, assédio, liderança tóxica, jornadas excessivas, falta de autonomia) entre os riscos ocupacionais que devem ser mapeados, avaliados e controlados no PGR, alinhando o Brasil à ISO 45001 e à ISO 45003.

  4. 2026

    Vigência plena e fiscalização efetiva

    Encerra o período de adaptação: empresas com empregados CLT passam a ser fiscalizadas quanto à gestão de riscos psicossociais no GRO/PGR. É exigido inventário documentado, plano de ação com responsáveis e prazos, participação dos trabalhadores e integração com a NR-17 (ergonomia organizacional), sob pena de autuações, multas e responsabilização civil.

Importância da NR-1

A NR-1 é importante porque ela traz a prevenção para o centro da gestão. Em vez de agir apenas quando surgem afastamentos, conflitos, processos trabalhistas ou problemas de saúde mental, a norma exige que as empresas identifiquem, avaliem e controlem os riscos antes que eles gerem consequências para as pessoas e para a organização.

Relação da NR-1 com outras Normas Regulamentadoras (NRs)

2) GRO e PGR: Entenda a Diferença

Processo

GRO

O GRO é o PROCESSO — o conjunto de ações e etapas que a empresa deve seguir para identificar, avaliar, controlar e monitorar todos os riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho. É a metodologia obrigatória definida pelo item 1.5 da NR-1. Inclui riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, de acidentes e, agora, os riscos psicossociais.

Documento

PGR

O PGR é o DOCUMENTO — o registro formal e obrigatório que materializa o GRO. Ele deve conter: (1) o Inventário de Riscos Ocupacionais e (2) o Plano de Ação com as medidas de prevenção. É o documento que os auditores-fiscais do trabalho irão solicitar durante a fiscalização.

Em resumo: o GRO é o que a empresa FAZ; o PGR é o que a empresa REGISTRA. Ambos são obrigatórios pela NR-1 para todas as empresas com empregados CLT.

Macroprocessos
GRO
Identificação de PERIGOS
Avaliação de RISCOS
Controle dos RISCOS

O processo que a empresa faz

O GRO é um processo contínuo e sistêmico de identificação, avaliação, controle e monitoramento dos riscos no ambiente de trabalho. É estruturado pelo ciclo PDCA: Planejar → Executar → Verificar → Agir.

Documentos
PGR
Inventário de Riscos
+
Plano de Ação

O documento que a empresa registra

O PGR é o documento vivo que materializa o GRO. É composto, no mínimo, pelo Inventário de Riscos e pelo Plano de Ação — ambos auditáveis, rastreáveis e atualizados periodicamente.

O GRO alimenta o PGR — o processo gera o documento que será auditado.

3) O que mudou na NR-1

A atualização trouxe mudanças estruturais que afetam diretamente RH, SST e a alta liderança. A saúde mental deixa de ser um tema indireto e passa a ser auditável, documentável e fiscalizável.

AntesAgora
Saúde mental tratada de forma indireta.Riscos psicossociais incluídos explicitamente no GRO.
Foco em riscos físicos, químicos e biológicos.Integração obrigatória com fatores psicossociais e organizacionais.
NR-17 isolada da gestão de riscos.Integração entre NR-1 e NR-17 para ergonomia organizacional.
Documentação genérica.Inventário de riscos + plano de ação documentados e auditáveis.
Ações pontuais ou reativas.Ciclo contínuo de melhoria (PDCA) com participação dos trabalhadores.

Diante desse cenário, fica evidente que a atualização da NR-1 não representa apenas uma mudança documental, mas uma transformação na forma como as organizações devem compreender e gerenciar os fatores que impactam a saúde dos trabalhadores. O foco deixa de estar exclusivamente nos riscos físicos e passa a considerar também aspectos relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais, à liderança, à comunicação e às condições que podem contribuir para o adoecimento emocional. Para atender às novas exigências, o primeiro passo é compreender o que são, de fato, os riscos psicossociais e por que eles passaram a ocupar um papel central na gestão da saúde e segurança do trabalho.

4) O que são riscos psicossociais

De forma simples, são os problemas relacionados à forma como o trabalho é organizado, gerenciado e realizado, e que têm potencial de causar danos à saúde psicológica, física e social do trabalhador. Não se trata de fraqueza individual: trata-se de condições objetivas de trabalho que adoecem pessoas.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define riscos psicossociais como aqueles que emergem das interações entre o conteúdo do trabalho, sua organização, gestão e ambiente, bem como das competências e necessidades dos trabalhadores. Quando há descompasso entre essas dimensões, o sofrimento aparece. De acordo com a NR-1 atualizada, esses fatores devem ser tratados como qualquer outro risco ocupacional, com identificação, avaliação, controle e monitoramento contínuo.

13 Fatores de Riscos Psicossociais — Guia do MTE

  • Assédio de qualquer natureza no trabalho
  • Má gestão de mudanças organizacionais
  • Baixa clareza de papel/função
  • Baixas recompensas e reconhecimento
  • Falta de suporte ou apoio no trabalho
  • Baixo controle no trabalho / falta de autonomia
  • Baixa justiça organizacional
  • Eventos violentos ou traumáticos
  • Baixa demanda no trabalho (subcarga)
  • Excesso de demandas no trabalho (sobrecarga)
  • Maus relacionamentos no local de trabalho
  • Trabalho em condições de difícil comunicação
  • Trabalho remoto e isolado

Um ponto importante para suas apresentações e treinamentos: o próprio MTE esclarece que essa lista é exemplificativa, ou seja, não é uma lista fechada. A organização deve avaliar outros fatores que possam existir em sua realidade específica.

Consequências para o Trabalhador

Quando esses fatores se acumulam sem gestão adequada, as consequências podem ser devastadoras: burnout, depressão, ansiedade generalizada, transtornos do sono, doenças cardiovasculares e até ideação suicida em casos extremos.

Consequências para a Empresa

Do ponto de vista organizacional, os impactos são igualmente sérios: aumento do absenteísmo, queda de produtividade, alta rotatividade, passivos trabalhistas e danos à reputação da marca empregadora.

Segundo dados do INSS, os transtornos mentais já estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil.

Impacto em números

Indicadores em percentuais
  • +1000%

    Aumento de afastamentos por burnout (2014–2024)

  • 30%

    Brasileiros relatam sintomas de ansiedade no trabalho

  • R$ 4Bi

    Custo anual com afastamentos psicossociais

  • 23%

    Trabalhadores em presenteísmo

  • 1 em 5

    Profissionais com risco de burnout

A saúde mental é uma questão fundamental no atual contexto de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), ficando evidente a importância de as organizações abordarem os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho com o objetivo de prevenir o adoecimento mental e outras lesões e agravos à saúde do trabalhador.

Equipe colaborativa sorrindo durante reunião de trabalho

5) Integração com a NR-17 (Ergonomia)

A NR-17 trata da ergonomia de forma ampla, considerando os aspectos físicos, cognitivos e organizacionais do trabalho e como eles influenciam diretamente a saúde, a segurança e o desempenho dos trabalhadores. Com a atualização da NR-1 e a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, os fatores ergonômicos e psicossociais passam a ser geridos de forma integrada.

Integração entre normas

O objetivo da NR-17 é adaptar o trabalho ao trabalhador — e não o contrário.

Operação

Como implementar a NR-1 na prática

Fluxo de gestão de riscos psicossociais

Erros mais comuns das empresas

Tratar a NR-1 apenas como um documento
Ausência de plano de ação real
Baixa adesão dos colaboradores
Falta de indicadores objetivos
Ausência de acompanhamento contínuo
Não envolver a liderança

Responsabilidades das empresas

Identificar riscos
Avaliar riscos
Implementar medidas
Acompanhar indicadores
Documentar ações
Revisar continuamente
Comunicar trabalhadores
Integrar SST e RH

Participação dos trabalhadores

Nenhum diagnóstico é mais valioso do que a percepção de quem vivencia o trabalho diariamente. Por isso, a NR-1 reforça a necessidade de envolver os trabalhadores na identificação e avaliação dos riscos. A escuta organizacional torna-se um instrumento essencial para compreender a realidade do ambiente de trabalho e apoiar decisões mais assertivas e eficazes.

Escuta ativa estruturada
Participação da CIPA
Comunicação transparente
Adesão dos colaboradores
Segurança psicológica
Feedback contínuo

Fiscalização

Como evitar multas e autuações

Documentação em conformidade

O descumprimento da NR-1 pode gerar autuações, interdições e responsabilização civil. As empresas mais expostas são as que tratam SST como burocracia.

  • Mantenha o PGR atualizado e rastreável
  • Documente cada etapa do GRO
  • Use instrumentos psicométricos reconhecidos
  • Garanta evidências de plano de ação executado
  • Treine lideranças e CIPA
  • Implemente ciclos contínuos de revisão

Aplicação

NR-1 para empresas

NR-1 aplicada a todos os portes

Pequenas empresas

Estrutura simples, foco em compliance essencial e plano de ação enxuto.

Médias empresas

Indicadores por unidade e governança intermediária da SST psicossocial.

Grandes operações

Escalabilidade, integração com ESG e governança corporativa.

Grupos multi-unidade

Visão consolidada, benchmarking interno e gestão por unidade analítica.

Estratégia

NR-1 para consultorias

Consultorias de SST, RH e saúde ocupacional precisam de uma plataforma que escale e padronize a entrega — sem perder rastreabilidade técnica por cliente.

Operação multiempresa
Escala de aplicação
Gestão centralizada
Dashboards por cliente
Gestão documental por contrato
Acompanhamento de planos de ação

Bliss NR1

Uma plataforma criada para transformar a gestão psicossocial nas organizações

Diagnóstico psicossocial

Aplicação estruturada e escalável com instrumentos reconhecidos.

Modelo inteligente por créditos

Escalabilidade para empresas e consultorias.

Bliss NR1 mobile-first

Aplicação simples via celular, alta adesão.

Dashboard executivo

Indicadores em tempo real para SST, RH e liderança.

Gestão multiempresa

Ideal para consultorias e grupos corporativos.

Plano de ação integrado

Gestão contínua das ações preventivas.

Inventário automatizado

Centralização das evidências do PGR.

Relatórios estratégicos

Dados para SST, RH, liderança e fiscalização.

LGPD por design

Anonimato, k-anonimato e uso coletivo dos dados.

Diferenciais Bliss

Modelo por créditos
Operação escalável
Multiempresa
Dashboard executivo
Mobile-first
Gestão documental
Integração NR-1 e NR-17
Estrutura para consultorias
Foco em prevenção real
UX simples para colaboradores

Dúvidas frequentes

FAQ

Prepare sua organização para a nova era da gestão psicossocial

As organizações mais preparadas não estão apenas buscando conformidade regulatória. Estão construindo ambientes mais seguros, humanos, sustentáveis e inteligentes.

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